A taxa Selic é um dos indicadores econômicos mais importantes do Brasil — e sua oscilação afeta diretamente o mercado imobiliário, inclusive o número de imóveis que chegam aos leilões.

Entender essa relação é essencial para investidores que buscam aproveitar as oportunidades do cenário econômico e tomar decisões mais assertivas na hora de dar um lance.

Abaixo, entenda o que é a Selic, como ela impacta o crédito, o comportamento dos proprietários e das instituições financeiras, além de mostrar como o investidor pode agir em cada momento do ciclo econômico.

Como a taxa Selic influencia o volume de imóveis em leilão

 

O que é a taxa Selic e por que ela é tão importante

A Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) é a taxa básica de juros da economia brasileira.

Ela é definida periodicamente pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e serve como referência para todas as demais taxas de juros praticadas no país — desde financiamentos imobiliários até investimentos de renda fixa.

Quando o Banco Central eleva a Selic, o crédito se torna mais caro: os bancos aumentam os juros cobrados em empréstimos e financiamentos. Já quando a taxa cai, o acesso ao crédito fica mais fácil e barato, estimulando o consumo e os investimentos.

Essa variação tem reflexos diretos no mercado de imóveis, especialmente no segmento de leilões, onde muitos dos bens disponíveis são resultado de inadimplência.

Como a alta da Selic aumenta o número de imóveis em leilão

Quando a Selic sobe, o custo do dinheiro aumenta.

Isso significa que famílias e empresas que possuem financiamentos imobiliários veem suas parcelas ficarem mais caras — especialmente nos contratos com juros variáveis.

Com isso, ocorre um aumento nos casos de inadimplência.

Proprietários que não conseguem arcar com os pagamentos acabam tendo seus imóveis retomados pelos bancos, que posteriormente colocam essas propriedades em leilão para recuperar parte do crédito.

Entre os principais efeitos da alta da Selic, destacam-se:

  • Aumento da inadimplência: mais pessoas e empresas deixam de honrar financiamentos;
  • Ampliação da oferta de imóveis em leilão: instituições financeiras buscam liquidar ativos para recompor caixa;
  • Redução no número de compradores: o crédito mais caro desestimula novos financiamentos e investimentos imediatos.

Ou seja, em períodos de Selic elevada, há uma maior quantidade de imóveis disponíveis em leilão, muitas vezes a preços mais baixos, devido à necessidade dos bancos de vender rapidamente.

Selic baixa: menor volume de leilões, mas maior competição

Por outro lado, quando a Selic está em queda, o cenário se inverte.

O crédito fica mais acessível e as parcelas de financiamentos se tornam mais leves, o que reduz os índices de inadimplência.

Consequentemente, menos imóveis são retomados pelos bancos e colocados em leilão.

No entanto, o ambiente de juros baixos também atrai mais investidores — afinal, os rendimentos de aplicações tradicionais, como Tesouro Direto ou CDBs, diminuem.

Assim, muitos investidores passam a buscar alternativas mais rentáveis, como o mercado imobiliário, inclusive os leilões.

Com isso, ocorre um fenômeno interessante:

  • Menos imóveis disponíveis para leilão;
  • Maior número de interessados;
  • Disputa mais acirrada nos lances e, portanto, menores margens de lucro.

Ou seja, em períodos de Selic baixa, as oportunidades continuam existindo, mas exigem mais estratégia e análise para que o investidor consiga arrematar imóveis com bom potencial de valorização.

Impactos da Selic no comportamento dos investidores

Impactos da Selic no comportamento dos investidores

 

A taxa Selic também influencia a forma como os investidores se comportam diante do mercado de leilões.

Em momentos de alta dos juros, os mais experientes tendem a agir com cautela, priorizando liquidez e escolhendo imóveis com potencial de valorização a médio prazo.

Já em períodos de queda, há um movimento de expansão e diversificação, com maior busca por oportunidades de compra e revenda.

1. Investidores conservadores

Durante períodos de Selic alta, os investidores mais conservadores tendem a migrar para ativos de renda fixa, aproveitando o aumento da rentabilidade em títulos públicos.

Assim, participam menos de leilões — o que pode abrir brechas interessantes para quem tem capital e está disposto a negociar.

2. Investidores agressivos

Já quando os juros caem, o cenário é mais favorável aos perfis agressivos, que veem nos leilões uma forma de obter retornos acima da média, especialmente com estratégias de reforma e revenda.

A concorrência aumenta, mas também surgem boas oportunidades em imóveis de valor intermediário ou em regiões em crescimento.

Como se preparar para investir de acordo com o cenário econômico

O segredo para aproveitar as variações da Selic é compreender em que momento do ciclo o mercado está e adaptar sua estratégia.

Veja algumas orientações práticas:

1. Acompanhe as decisões do Copom

As reuniões do Comitê de Política Monetária acontecem a cada 45 dias.

Monitorar esses comunicados ajuda o investidor a prever tendências e ajustar sua postura com antecedência.

2. Faça análise de risco antes de dar um lance

Em períodos de Selic alta, avalie a liquidez do imóvel e a real possibilidade de revenda.

Em tempos de Selic baixa, analise mais profundamente o custo-benefício do investimento, já que os preços de arremate tendem a subir.

3. Considere diversificar seu portfólio

Equilibrar imóveis de diferentes perfis e regiões é uma forma inteligente de reduzir riscos e proteger-se das oscilações macroeconômicas.

Selic, crédito e o futuro dos leilões imobiliários

A tendência é que a Selic continue sendo um dos principais termômetros do mercado imobiliário.

Conforme as oscilações da taxa, veremos ciclos alternados de maior ou menor volume de imóveis leiloados, acompanhados de mudanças no comportamento dos investidores.

A digitalização dos leilões e o crescimento das plataformas online também ampliam o acesso a esse tipo de investimento, permitindo que pessoas físicas atuem com mais segurança e transparência.

Em qualquer cenário, o conhecimento econômico se torna um diferencial competitivo para quem deseja lucrar com imóveis leiloados.

Conclusão

Compreender como a taxa Selic influencia o volume de imóveis em leilão é fundamental para qualquer investidor que busca atuar de forma estratégica e consciente. 

Em um país de economia cíclica como o Brasil, adaptar-se às variações dos juros pode ser a diferença entre um bom negócio e uma oportunidade perdida.

Afinal, enquanto muitos enxergam risco, quem entende o movimento da economia identifica o momento exato de agir — transformando variações de mercado em chances reais de crescimento patrimonial.